26 de abr. de 2007

E a luta continua

Reivindicação. Essa é a palavra-chave do sindicato dos professores, seja das escolas públicas ou particulares, para explicar o motivo de greves e assembléias com tanta freqüência. A luta dos educadores, além do já conhecido esforço pelo aumento salarial, passa por questões como assédio moral, convênios de proteção social e melhores condições de trabalho. Representados por sindicatos diferentes, os professores do ensino público e privado possuem realidades de trabalho distantes o que interfere na busca por objetivos específicos.
“Criou-se o sindicato exclusivo para a categoria dos professores particulares para atender aos anseios e negociar aquilo que é necessário para esses educadores”, assegura Euler Campos, do conselho de representante do Sinproep (Sindicato dos Professores em Estabelecimento Particulares de Ensino do Distrito Federal). Educador há 19 anos, ele acredita que esses docentes sofrem maior cobrança e maior rotatividade dentro dos estabelecimentos de ensino privados. Isso ocorre porque a educação é tratada como comércio, afinal a mão-de-obra do professor é explorada pelos patrões, que visam primeiramente o lucro e depois se preocupam com a qualidade do ensino.
Comum na Fundação Educacional, as greves não acontecem nas particulares, já que os educadores sentem receio de serem demitidos. Euler afirma que não há paralisação por essa relação de trabalho ser diferente dentro da escola privada, afinal os pais pagam as mensalidades dos alunos e esperam que os filhos recebam uma educação de qualidade, além de acreditarem que os professores têm seus salários pagos corretamente. Mas educadores confirmam que muitos colégios pagam baixos salários e atrasam pagamentos. Então, o Sinproep trabalha para amenizar a relação de conflito entre patrão e empregado, negociando as exigências que existem dos dois lados.
Na defesa pelos direitos da categoria, o Sinpro (Sindicato dos Professores do Distrito Federal) fará uma assembléia geral com paralisação, no dia 22/05, em Taguatinga. A pauta a ser discutida debaterá assuntos como plano de carreira, reajuste salarial e manutenção da licença-prêmio. Os servidores não concordam com a conversão dessa licença para licença-capacitação. A briga com o governo é antiga, mas na administração de Arruda, os professores estão ainda mais descontentes. Principalmente depois da declaração do próprio Governador, veiculada na imprensa, de que os professores parecem ter contraído preguicite aguda.
De acordo com o professor Rafael Perfeito, que passou no concurso de 2003 e só foi chamado quatro anos depois para assumir o cargo, a situação da Fundação é grave. “Na minha escola, em um núcleo rural próximo ao Paranoá, não há livros didáticos. Nós fazemos as apostilas, tiramos cópias e cobramos dos alunos, infelizmente. A realidade que o professor tem de enfrentar na periferia das cidades grandes é dura. Não há segurança nessas escolas. E falar que o professor sofre de preguicite aguda só pode ser com má-intenção”. Pelo jeito, a luta dos professores está longe de ter uma trégua.

2 comentários:

Anônimo disse...

Cara Jamile,

para quem não tem a pretensão de ser tornar jornalista de fato, mas educador, fica a dúvida: vale a pena ser professor?

Em busca de paz disse...

Nossa Jamile, vc conseguiu acabar com a má visão que eu tinha dos professores da fundação, eu só os criticava por fazerem tantas greves; ainda acredito que algumas são desnecessárias, mas agora os vejo com outros olhos, pelo menos.