18 de mai. de 2007

Chico, em plena forma


A platéia brasiliense assistiu emocionada à apresentação impecável de Chico Buarque na estréia de Carioca, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Repleto de aplausos, o show confirmou que o gênio da MPB arrebata até mesmo espectadores cheios de formalidades como os da capital federal. Chico, com a sua voz macia e seu jeito discreto, levou ao delírio o público que se deleitou com as canções clássicas da carreira do compositor, guardadas mais para o final do espetáculo. Apesar das atuais composições ainda não serem tão conhecidas pela platéia, os brasilienses ouviram atentos cada nota harmonizada no violão e cada palavra pronunciada pelo mestre.

Durante quase duas horas em que Chico Buarque esteve no palco, inúmeros foram os assanhados gritos de “lindo”. Nem assim, a serenidade do poeta se abalou. Só se mostrou desconcertado no momento em que dividiu a interpretação de Grande Hotel com o baterista Wilson das Neves, quando ensaiou uma coreografia futebolística. No mais, Chico fez a alegria da platéia ao cantar, durante os dois bis, “Quem te viu, quem te vê” e “João e Maria” e extasiou aqueles que estavam próximos ao palco ao encostar-se nas mãos dos fãs.

Marcada por confusões na venda de ingressos, a produção vacilou mais uma vez ao dividir as filas entre meia-entrada e entrada inteira na porta do Centro de Convenções. Apesar disso, a falta de profissionalismo não se repetiu como no tumultuado primeiro dia de venda dos ingressos. Não se pode esquecer a situação lastimável que os fãs de Chico Buarque foram obrigados a agüentar para comprar os ingressos, em um shopping da cidade. Horas intermináveis em uma fila que não se movia, desorganização e desrespeito por parte da produção que contratou o show foram motivos de protesto e gritaria naquela agitada sexta-feira.
A despedida calorosa entre a platéia e o dono dos belos olhos azuis comprovou que tudo vale a pena quando se trata de Chico Buarque.



* Jamile Bilu é estudante de Jornalismo e foi por conta própria ao show de Chico Olhos Azuis Buarque. Ah, e passou mais de 6 horas na fila para comprar o ingresso.

26 de abr. de 2007

E a luta continua

Reivindicação. Essa é a palavra-chave do sindicato dos professores, seja das escolas públicas ou particulares, para explicar o motivo de greves e assembléias com tanta freqüência. A luta dos educadores, além do já conhecido esforço pelo aumento salarial, passa por questões como assédio moral, convênios de proteção social e melhores condições de trabalho. Representados por sindicatos diferentes, os professores do ensino público e privado possuem realidades de trabalho distantes o que interfere na busca por objetivos específicos.
“Criou-se o sindicato exclusivo para a categoria dos professores particulares para atender aos anseios e negociar aquilo que é necessário para esses educadores”, assegura Euler Campos, do conselho de representante do Sinproep (Sindicato dos Professores em Estabelecimento Particulares de Ensino do Distrito Federal). Educador há 19 anos, ele acredita que esses docentes sofrem maior cobrança e maior rotatividade dentro dos estabelecimentos de ensino privados. Isso ocorre porque a educação é tratada como comércio, afinal a mão-de-obra do professor é explorada pelos patrões, que visam primeiramente o lucro e depois se preocupam com a qualidade do ensino.
Comum na Fundação Educacional, as greves não acontecem nas particulares, já que os educadores sentem receio de serem demitidos. Euler afirma que não há paralisação por essa relação de trabalho ser diferente dentro da escola privada, afinal os pais pagam as mensalidades dos alunos e esperam que os filhos recebam uma educação de qualidade, além de acreditarem que os professores têm seus salários pagos corretamente. Mas educadores confirmam que muitos colégios pagam baixos salários e atrasam pagamentos. Então, o Sinproep trabalha para amenizar a relação de conflito entre patrão e empregado, negociando as exigências que existem dos dois lados.
Na defesa pelos direitos da categoria, o Sinpro (Sindicato dos Professores do Distrito Federal) fará uma assembléia geral com paralisação, no dia 22/05, em Taguatinga. A pauta a ser discutida debaterá assuntos como plano de carreira, reajuste salarial e manutenção da licença-prêmio. Os servidores não concordam com a conversão dessa licença para licença-capacitação. A briga com o governo é antiga, mas na administração de Arruda, os professores estão ainda mais descontentes. Principalmente depois da declaração do próprio Governador, veiculada na imprensa, de que os professores parecem ter contraído preguicite aguda.
De acordo com o professor Rafael Perfeito, que passou no concurso de 2003 e só foi chamado quatro anos depois para assumir o cargo, a situação da Fundação é grave. “Na minha escola, em um núcleo rural próximo ao Paranoá, não há livros didáticos. Nós fazemos as apostilas, tiramos cópias e cobramos dos alunos, infelizmente. A realidade que o professor tem de enfrentar na periferia das cidades grandes é dura. Não há segurança nessas escolas. E falar que o professor sofre de preguicite aguda só pode ser com má-intenção”. Pelo jeito, a luta dos professores está longe de ter uma trégua.